segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ontem

Este não é um blog de corridas, embora só fale de corridas.
É que atualmente ocupo muito do meu tempo com elas e delas busco alguma inspiração.
Pelo menos para uma explicação.
Se pouco escrevo aqui é porque corro muito por aí.
Não há razão nem meditação nem reflexão.
Mas antes de ir, deixo algo que escrevi:

“Vislumbro o céu, Macabro véu
Bendito mel, Maldito fel
Ares escassos, Mares revoltos
Campos e Pastos, Lares envoltos
Por loucos, roucos e moucos”

Pensei nesses versos de olhos fechados.
Depois disso eu caí.
Prometo que volto logo.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

2º Desafio Castelhanos Topo & Praia - Ilha Bela

No dia 16 de maio de 2009 tive o prazer de participar da segunda edição do Desafio Castelhanos Topo & Praia da Corpore em Ilha Bela, litoral de São Paulo. Trata-se de uma Ultramaratona com percurso total de 44 km em terreno acidentado de terra cortando a mata e com grande variação de altimetria, ou seja, subidas e descidas pra ninguém botar defeito.


- Pré-Prova

Foi minha estréia em Ultramaratonas e penso que pelas circunstâncias eu até que me saí bem. Digo isso porque na semana que antecedeu a corrida muitos obstáculos ocorreram prejudicando a minha performance. Pra quem acredita em Lei de Murphy, depois de praticamente 4 meses treinando para esta corrida, sofri uma fisgada na panturrilha direita 3 dias antes! Claro, fiquei sem treinar nesse período tratando a lesão, mas mesmo com dores, resolvi encarar o desafio. Afora isso, meu pai adoeceu horas antes da minha viagem e tive que levá-lo para o hospital onde fiquei até o momento em que tive a certeza que ele estava bem e em companhia de outros familiares já de noite.

Assim parti em viagem para a Ilha onde cheguei por volta da meia-noite. Fiz meu check-in no hotel, fui para o quarto, separei o uniforme, tênis, géis de carboidrato, garrafinha, repelente, etc. Coloquei o relógio para despertar para às 5 horas da manhã e tentei descansar um pouco para a prova que iria começar em poucas horas.


- A Prova

Ainda estava escuro quando cheguei na área de largada e lá encontrei o Roberto Ken, antigo companheiro de equipe, assim como a Tomiko, Marina e Hedy que chegaram logo após e minutos antes da largada. Houve tempo para uma pequena confraternização com alguns novos amigos, Enio e Carlos Hideaki até ser dada a largada.

Partimos! Algumas centenas de metros e já nos vimos subindo em direção à Praia de Castelhanos. O Desafio consistia basicamente em atravessar a Ilha, partindo do nível do mar e subindo cerca de 10 km ininterruptos até o topo da montanha (650 metros de desnível) para após descer mais 10 km até chegar a um PC na praia. Depois, os atletas deveriam trilhar o caminho inverso retornando ao ponto inicial e seguindo mais 4 km até a chegada na escola de vela BL3, local onde a Corpore montou suas tendas para abrigar o Desafio e o evento paralelo, o Revezamento Terra & Mar em equipes.

A primeira subida foi relativamente tranqüila, embora já no terceiro km eu tivesse começado a sentir minha querida panturrilha. Procurei me poupar, diminuindo o ritmo e estudando cada passo para evitar agravar minha lesão. Tarefa bastante complicada pois o terreno era extremamente acidentado, além do que a chegada de uma frente fria no dia anterior, trouxe chuvas fortes que tornaram alguns trechos do percurso um verdadeiro lamaçal. Assim, os 40 km de percurso foram muito tensos, pois a minha preocupação era não me machucar em meio aos buracos, pedras soltas e o mar de lama em alguns pontos do trajeto.

Chegando ao topo da montanha, foi possível um leve descanso para abastecimento com frutas, água gelada e isotônico. Já em meio ao percurso de descida à praia, deu para notar o nível de inclinação que me esperava na volta. Não iria ser fácil. Não demorou muito e cruzei com o líder da prova, o Márcio Batista que subia de forma impressionante aquelas pirambeiras. Dei um alô de incentivo a ele, o que me foi prontamente retribuído. Até então eu não o conhecia, mas ao final da prova, fomos almoçar juntos e descobri que ele vencera a Ultramaratona de 100km de Cubatão. Continuando a minha descida, cruzei longos minutos depois com o Evaldo, o segundo colocado até então, que havia sido campeão na primeira edição do Desafio. Ele passou reclamando que estava com câimbras.

Chegando à praia de Castelhanos, há que se abrir um parêntesis para comentar a beleza do local: um verdadeiro paraíso. O cansaço fica em segundo plano quando se avista aquele azul do mar que se confunde com o do céu, os quais contrastam com a areia clara e fofa da praia. Mais à frente avistei um vilarejo onde se localizava o PC da Corpore e onde voltei a me abastecer e descansar. Lá requisitei um spray de gelol para passar na minha panturrilha. Ofereceram-me frutas, biscoitos, água e isotônico que foram devidamente devorados em alguns segundos. Minha vontade era ficar, curtir aquela praia maravilhosa, porém, logo caí na real e segui o trajeto de volta. Agora sim o bicho iria pegar.

Havia um rio a ser atravessado e a organização disponibilizou um posto de troca de tênis para quem tivesse entregado um par reserva dias antes na sede da Corpore. Foi o que fiz. A idéia era correr com os pés secos para evitar bolhas, porém minha estratégia não se mostrou tão eficiente vez que alguns quilômetros depois os tênis novos já estavam cheios de barro e encharcados. A sorte foi que mesmo com os pés molhados, não tive uma bolha sequer.

A subida de volta realmente se mostrou difícil, mas procurei seguir conselhos dos amigos ultramaratonistas, correndo onde era pra correr e andando onde era pra andar. Assim, sem pudor algum, ao longo dos 10 km seguintes, andei nas subidas mais íngremes mantendo um passo firme e constante até o topo. Chegando lá, mais uma parada para reabastecimento, algumas fotos e, naturalmente as descidas!

Ah, as decidas! Dizem que aí, todo santo ajuda, mas não é bem assim, é um momento delicado, tenso e desgastante, pois exige-se além do preparo muscular para suportar o forte impacto, a concentração e reflexos para não se pisar em falso, comprometendo toda a corrida.

Mas deu tudo certo e, chegando ao plano, cruzei pelo posto de revezamento dos atletas do outro evento. Foi muito emocionante pois para muitos daqueles atletas do revezamento, era impensável entrar numa corrida para correr 44 km, então, o aplauso partia como incentivo e admiração. Dali para frente, fui acompanhado por um batedor de moto. Fomos conversando até praticamente a praia do Perequê onde aconteceria a chegada. Mas não fiquei muito tempo sozinho, pois nesses últimos quilômetros, fui acompanhado por carros de equipes de revezamento que apoiavam seus atletas que imprimiam o mesmo ritmo: mais incentivos e aplausos!

Quando me aproximei do pórtico de chegada, anunciaram meu nome no microfone e muitos amigos já me aguardavam na chegada para me receber. Aumentei um pouco mais a velocidade e pisei felicíssimo da vida no tapete de chegada com o tempo de 5h37m12s! Muita emoção, aplausos e abraços! Missão cumprida!!!


- Pós-Prova

Conheci a Paulinha, menina fantástica que tirou várias fotos e me mostrou lindas praias em Ilha Bela. Fomos almoçar num restaurante local. Conheci o Márcio Batista de Oliveira, o vencedor da prova e seu treinador, o Silvio, ambos da cidade de Santos.

O Márcio concluiu a prova em 3 horas e 21 minutos e me contou vários detalhes da sua prova: disse que em nenhum momento andou no percurso e que se não tivesse chovido, seu tempo teria sido melhor. Torço muito por ele, pois trata-se de um cara humilde e com planos muito ambiciosos para o futuro. Como disse a Paulinha, um abençoado.

Deixo aqui meus agradecimentos, à Paula pelo carinho e hospitalidade, à Marina e Tomiko pelas dicas e incentivos, aos meus amigos incansáveis de treinos, loucos por corrida, à E.C. Tavares, em especial, à Maria Gomes, Nádia, Alexandre Aoki, Luiz Dias, e à Adesilde e ao prof. Tavares que sempre estiveram me preparando, incentivando e torcendo por mim neste desafio.

Agora sim posso dizer que também sou um Ultramaratonista!!!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Sofrer pra quê?

No começo do mês fui treinar subidas no Pico do Jaraguá aqui em São Paulo. Bem, foram cerca de 30km percorridos subindo e descendo aquilo tudo por 3 vezes.

Muitas pessoas não entendem porque certos corredores se submetem à essas práticas tão insólitas. Eu mesmo não via sentido quando me deparava com pessoas correndo por aí com suas regatas, shorts e tênis. Obviamente, depois de experimentar a coisa mudei totalmente, não larguei mais!

Quando se termina um treino desse tipo a sensação é de muita satisfação. É uma espécie de sofrimento revitalizante. Hmmm... gostei do que escrevi: sofrimento revitalizante.

Afinal, será que buscamos prazer no sofrimento?

Woody Allen tem uma frase engraçada: "Quando eu era pequeno, meus pais descobriram que eu tinha tendências masoquistas. Aí passaram a me bater todo dia, para ver se eu parava com aquilo". Claro que não é bem isso. O masoquismo que Woody se refere é do prazer sexual encontrado na dor física pela humilhação, submissão, dominação por outrem.

A dor do corredor que me refiro está mais ligada à dominação, à busca, à aventura, à conquista, à vitória...
Nós somos os sujeitos ativos desta dominação e não os dominados.
E o nosso prazer reside aí.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Tiradas





De vez em quando publicarei algumas tiras bacanas.
Estas são do talentoso Loro Verz.
Quem já não acordou sentindo-se como um bujão? E um bujão com responsabilidades? E mala? Com certeza né!
E Semáforo? E tv? E controle remoto? E buraco no chão? E pilha duracell? E...

Confiram: http://loroverz.blogspot.com/

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Eu vou correr 20 km hoje sem parar!

Ontem minha irmã, olhou pra mim e falou: - Noooossa, estou preocupada, você está tão estranho!
Eu: - Estranho Eu? Não é nada não, estou na minha.
Ela: - Bom, não vai se suicidar tá bom?
Eu: - Hã? Ah, tá bom, não vou não!

He he he. Mas que papo é esse?
Normal. Como tantos brasileiros, ando preocupado com a crise. A tal da marolinha que o Presidente falou chegou aqui no meu escritório como um tsunami. Ok, eu sei, não adianta cair no desespero. É hora do plano B!

O problema é onde eu fui enfiar esse plano B? Procurei em todas as gavetas. Ah, lembrei, o meu talão de cheques também sumiu! (pausa, para procurar o talão de novo, debaixo das almofadas). Sumiu mesmo... e faz tempo que sumiu. Contudo, acho que ninguém está passando meus cheques por aí, até porque não vi nenhum débito estranho na minha conta. Só faltava né?

Ok, na falta do plano B, vamos ao plano C! Mas que plano C meu amigo?

Toca o telefone: -Bi-ri-ri-ri...-Bi-ri-ri-ri...-Bi-ri-ri-ri...(Trim-Trim é do século passado).
Eu: - Alô?
A voz: - Doutô Paulo? (Opa, seria um plano C ???).
Eu: - Sim, quem deseja?
A voz: - É o Geremias, amigo do Abdias, eu recebi uns papéis do Ofical da Justiça que disse que eu preciso de advogado senão eu vou ser preso, dá para o senhor me ajudar?
Eu: - Hummm... Sim, claro, vamos ver se posso, que papéis são esses? É criminal?
Geremias: - Não doutô, é que eu tenho um filho e a mãe dele fica me ameaçando, é pensão alimentícia!
Eu: - Hummmmmm... e você tem dinheiro pra pagar?
Geremias: - Não doutô, tô desempregado, tô passando fome, tô vendendo bala no farol, tô...
Eu: - Hummmmmmmmmmm... Calma seu Geremias, não se desespere. Sempre há uma saída! Vamos pensar juntos, tá tudo tranquilo, o senhor ainda está no plano B. E eu que vou para o plano D?!
Geremias: - Hein?
Eu: - Deixa pra lá, traga os papéis no final da tarde, como está o Abdias?

De noite acessando a minha conta: - Ei, que débito é este? Cheque número 00241??? Ei... Que diabo é isso?

Schopenhauer: - Eu disse pra fazer B.O, trouxa! Calce logo esses tênis que eu fecho tudo aqui! Ah, o chá estava uma delícia! hahaha

segunda-feira, 30 de março de 2009

Uma xícara para Schopenhauer.

Sabe aquela satisfação quando algo que você se propôs a fazer dá certo?
É bom não é mesmo? Eu acho ótimo.
Dá impressão que você colaborou de alguma forma para que aquela engrenagem maluca do universo se movimentasse para frente.
É que às vezes nos sentimos impotentes frente aos acontecimentos da nossa vida e do mundo. Coisa bem natural.
Quero mesmo é continuar esse movimento. Vou além não porque eu posso, mas porque eu devo. É um propósito. Eu acho ótimo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

É muito bom encontrar os novos amigos.

Sábado, na USP, encontrei alguns. Domingo, no Morumbi, idem.

Tem gente que gosta de correr sozinho. Eu gosto muito, mas também gosto de companhia, principalmente nos treinos mais longos, desde que os companheiros tenham ritmos parecidos. E quando se treina em equipe, a probabilidade de se achar atletas com ritmos parecidos é bem maior. Melhor ainda quando esses colegas são bacanas, aí os treinos de 20, 30 quilômetros, deixam de ser sofríveis para serem prazerosos, passando muito mais rápido.

Engraçado como esse negócio de corrida, torna as pessoas um tanto "cúmplices". Não sei se me expresso bem, mas aquelas horinhas de treinos juntos, aquele sacrifício conjunto, aquela disputazinha meio disfaçada, faz a gente criar uma afeição pelos nossos colegas. Pelo menos funciona assim comigo. Quando eles aparecem, você fica feliz. Quando não, você sente uma falta danada. Quando se contundem, você fica triste porque os treinos já não serão os mesmos.

Mas não é só isso, você também passa a querer bem essas pessoas. Você dá dicas, você quer ajudá-las a melhorar, você quer preveni-las, você quer alertá-las. Porque elas são como você, "cúmplices".

É muito bom encontrar os novos amigos.